HUYGHENS 12
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21/02/2012
Trecho de minha estada na Serra da Canastra, até hoje de manhã. 21.02.20.12.
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07/02/2012
06/02/2012
É, Maria. Essa sensação de queda é sim aquele instante da vida em que qualquer coisa poderia ter sido outra. Mais emoção, por favor. Menos pena de si mesmo.
05/02/2012
04/02/2012
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22/01/2012
11/11/2011
03/05/2011
29/03/2011
Tem mesmo pouco sobre o homem que não exista no intervalo. Sobre todas as concessões que fazemos ao tempo, o maior pesar se deve as horas que fluem estritamente num sentido: o de tornarem-se cada vez mais vaporosas entre excessos e vazios. É um fluir que menos transborda, que mais se expande, que é mais capaz de tomar de assalto o ar dos pulmões. Mas não afoga, aconchega. E também afoga.
Da noção de tempo que se esvai (incontrolável em sua natureza autêntica, que assumia os riscos de um envelhecimento dos seres e das coisas), o homem que antes se notava pleno de si e das normas da sociedade moderna, passa a fundir-se então a todo o resto sem discriminação de entorno e interioridade. O ar, o tempo, os pulmões, a histeria de uma fragmentação da unidade humana são profundamente achatadas pela horizontalidade dos caminhos contemporâneos: o vazio se torna inevitável e insuportável.
Desencadeando a supressão de eventos, idéias e tecnologias, a fluidez temporal passa a culminar na supressão de “eus” em um único ser, que dotado de uma suposta liberdade de escolha diante dos fatos, posiciona-se sim aos pés de uma amorfa região de conceitos e valores desenraizados. Que liberdade há quando qualquer escolha é válida? Quando a determinação livre de estados supera a solidez da existência em prol de uma sobrevivência em região de acidentes?
O ar dos pulmões se torna atraente, a escolha de tê-lo dentro de si vaporiza um sem-fim de opções. Eis que, sedução surge como processo estritamente psicologizante e acompanhada dos demais processos de subjetivação do ser humano (entre os quais reinventados: a intuição, o amor, a igualdade, a humanidade, a liberdade, a própria natureza), aparenta reconhecer na positivação das relações – colapsadas – a criação de um universo pessoal autêntico.
À construção desse conteúdo que preenche rasamente nosso cotidiano, o advento do tempo torna saudosismo um acúmulo insustentável de fatos, fazendo do passado uma sucessão de presentes relativamente atuais, mas já ausentes de sentido. Qualquer escolha deixa de ser (ou passa a ser) válida quando submetida a um futuro evoluído, portanto, melhor, no entanto angustiante, enquanto desmerecedor do presente e possivelmente irrealizável. A evolução mais que percurso passa a ser sucessão. Imbuído do senso de liberdade de escolha, a elevação crescente desses valores auto-reconhecidos, é de fato uma invenção frágil sugerida pela contemporaneidade.
Se o pós-guerra fez explodir a idéia de instituição, elevando ao limite do descrédito humano tudo que não lhe pertença ao âmbito psicológico, a consideração sócio-histórica que reconhecia escola, igreja, família e cultura como entidades acima das capacidades de escolha, passou por transformação a ponto de individualizar as experiências sociais. Nessa dualidade temporal, o que antes se conceituava abelha, hoje se transmuta no zum zum zum incessante: a figura muito menos importa que a impressão ligeira que nos perturba os ouvidos e arrisca nossa pele.
Outra curiosa observação é a temporização dos espaços. O que antes se constituía como um lugar, como objetos de observação e durabilidade prolongada, atualmente se submete a uma questão de inversão de escala. O valor intrínseco dos conceitos passou a se caracterizar validade, ou data de validade.
A relação com os meios externos e com as demais pessoas passa a ocorrer limitada a uma espécie de razão temporal e somente ao prazer individual e este é o grande trunfo, ou grande vício contemporâneo: o prazer de se permitir agir e ter prazer, mesmo que as relações sejam todas fabricadas pelo processo psicológico, mesmo que a masturbação se torne a forma aparentemente mais autêntica, livre e pessoal de obtê-lo, claro, sem a interferência do outro.
O que se faz valer, cada vez mais é a aventura. Não exatamente em questão de risco, cada vez mais, pois, em termo de opções, de acúmulo (que não acumula, já que surpreende, supera). Acúmulo dos bens, das tecnologias, das relações sociais (não é preciso entrar no mérito das discussões sobre o universo virtual), das sensações, das emoções, dos minutos que contrariando a física deixam de ser absolutos, se alongam ou contraem em oposição aos anseios pessoais. Autonomia a plenos pulmões.
Não há aqui, senão exposição de idéias. O que insisto a duros golpes em dizer é: Vomito as horas! São trinta dentes, Maria! Dez dedos em cada lado do corpo, vinte e quatro anos, dois olhos que pairam rasos e se perdem no vapor. São trinta dentes! Que ruminam o acaso, mastigam a memória e acumulam nas gengivas a cor cinza do desagrado. Cutucam a sujeira oito unhas grossas, rijas do trabalho de escavar a própria carne em busca da profunda essência. Encontram resposta apenas duas, uma para cada olho, na mentira do espelho, no vapor do banho quente. Dos vinte e quatro anos, apenas catorze se sentem com a língua: os que estão na parte de cima da boca. Abaixo, apenas reflito, como o espelho. Apenas embaço, como a memória. Apenas mordo, como os anos. Devoro os dedos até punho.
13/03/2011
12/03/2011
Please don't call me, baby
I'll be probably lost
Looking for my cotton socks
Rearranging my white skin
Among oaks, gum trodden, ice cream vanilla flavor and a telescope in pieces
I'm trying to be honest
The road is long
The end is fucking near
Ask Jim and eat him
Down down down
I'm so happy in Uptown!
21/07/2010
26/06/2010
REFLEXÃO/ Manifesto
Ainda que os objetivos desta reflexão seja pensar sobre as obras prescritas, reencontro minhas questões – a serem possivelmente desenvolvidas aqui – justamente através das dúvidas que me surgiram durante seu debate (algumas delas anotadas nos roteiros diários), ainda que profundamente ingênuas.
O que Herbert Read descreve como uma possibilidade de desenvolvimento real da idéia de Platão, o papel da Arte na educação (como sugere o próprio título de sua obra), como um eixo condutor, entendo como um meio de emancipação de tudo aquilo que se apresenta como mais humano e profundamente natural, ainda que esbarre no embate sugerido sobre a função da educação (irreconciliável): “o homem deveria ser educado para se tornar o que é/ ele deveria ser educado para se tornar o que não é.”
Ao acreditar na Arte como processo de assunção da própria humanidade, afirmo sua função abstrata (se é que me é permitido conciliar termos tão díspares) ao permitir um reencontro do homem com suas próprias capacidades: naturais e incivilizáveis. A tais, me refiro sensação, percepção, imaginação e expressão sentimental, como meios de incisão sobre uma abertura do ser humano para o que se exprime como conceito de mundo. À educação, entendo como veia principal ao homem, a permitir a expurgação de suas crises mais profundas (humanas) e consolidação de suas capacidades crítica, criadora e proliferadora de consciências individuais, ao objetivo de se tornarem integradoras de uma sociedade e não apaziguadoras de submissão e ordem imposta.
Ao reproduzir no percurso histórico uma artificialização das mais simples relações humanas (espaciais, sociais, pessoais até mesmo da noção de tempo) no sentido de submeter todo seu entorno a um processo civilizatório ganancioso, o homem passa a se modificar enquanto ser natural junto ao seu próprio novo mundo. O que me refiro, é a um processo humano de necessidade controle de toda ciência e possibilidades. Mesmo que imbuído de um discurso de “compreensão” de qualquer entidade material ou imaterial, essa necessidade é vinculada a uma série de interesses que desprendem qualquer elemento de seu contexto natural. A busca seja pelo entendimento do inconsciente, seja pela procura de vida extraterrestre, passa por um funil de interesses sobre a intenção de comando de qualquer fato (afinal, o que perturba mais o ser humano senão o desconhecido, seja por incógnitas de desastres naturais, seja por inexplicáveis doenças, por distúrbios mentais que perturbam a aparente ordem social ou a relação vida/ morte?).
Nesse sentido, creio, à própria Arte coube um papel de segregação do ambiente da vida para se tornar fetiche de uma dada elite cultural, exteriorizando-se para se tornar mais um conceito subjugado e artificial; no contexto dos autores citados e mesmo desta reflexão, lutando para uma recolocação em sua posição inicial (e natural).
O que se exprime como intervenção da Arte no próprio cotidiano, seria justamente a quebra do ideal de Arte como instituição. Herbert Marcuse (em Teoria da Vanguarda de Peter Bürger) oferece uma determinação global da função da arte na sociedade burguesa. “De acordo com essa determinação, a função da arte é contraditória: por um lado mostra “verdades esquecidas” (e, com isso, protesta contra uma realidade na qual estas verdades não possuem validade alguma); por outro lado, as verdades são desatualizadas através do medium da aparência estética (estabilizando, assim, as mesmas condições sociais contra as quais protesta).” Ao afirmar este caráter institucionalizado e servente à cultura burguesa, Marcuse estabelece relação do papel da Arte com o papel da religião assumido por Marx, em estabilizar as injustiças humanas através da assimilação de uma nostalgia de uma vida feliz e elevada, existente apenas num mundo não-cotidiano.
Reivindicando uma posição interveniente no espaço da vida, toda a descrição sobre Arte descrita por Lowenfeld, em termos mais objetivos e técnicos na aprendizagem nas diferentes etapas da vida, ou Read, de modo mais expansivo, a meu ver deveria tender a uma valorização tal deste conceito, que culminaria em sua própria eliminação enquanto Arte. Sua inclusão no contexto diário, enquanto essência humana da sensação, percepção ou qualquer que seja sua relação com o mundo, consigo ou com o outro, deveria, pois, visar a superação estética (mesmo que os movimentos de Arte Contemporânea assumam essa reivindicação através de obras perceptuais) a ponto de se tornar expressão espontânea e lúdica da vida. Entendo até mesmo a possibilidade radical de desintegração da matéria de Artes Plásticas como espaço especial na escola, para uma vinculação de todas suas qualidades e motivações no contexto global de aperendizado.
Assumo, pois, a idéia de Read, ao finalizar seu livro, a noção de “educação pela Arte” como busca do objetivo de cultivar uma consciência de valores intrínsecos, ao utilizar-se da Arte como meio de aspiração do homem às suas capacidades criativas e interiores mais essenciais, revolucionárias.
Não compreendo todo o processo descrito até aqui como simples devaneio ou utopia de uma “revolução necessária”. Entendo como base de uma luta a ser investigada, pesquisada, refletida, discutida e emancipada para o ambiente real. Passível sim de revolucionar. Mesmo porque, ao colocar em cheque experiências educacionais já existentes, como a exercida por Olga Cossettini entre 1935 e 1950, em uma escola primária no Bairro de Alberdi, Rosário, Argentina, onde o papel da Arte se apresentava muito longe de pretender formar artistas, senão incluir-se no cotidiano escolar, possibilitando uma percepção e compreensão de mundo muito mais ampla e consciente, percebo que há saída (mesmo que combatida por diferentes regimes ditos políticos).
Ao refletir, por fim, em discussão sobre Arte como um beco sem saída, impassível diante das mazelas do mundo, viso agora, compreendê-la como uma válvula de conexão no ambiente da vida, a ser não só uma possibilidade de abertura, como uma membrana de fruição das próprias peculiaridades humanas naturais e essenciais.
21/06/2010
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24/09/2008
23/09/2008
08/09/2008
Acabo de envelhecer alguns bons anos, há poucos instantes, ao me olhar no espelho - estava prestes a dormir, agora a insônia de um velho me incomoda.
Não digo pela minha aparência e percepção de mudanças físicas. Continuo um jovem roto, magro, de cabelos emaranhados e barba rala em ilhas de sujeira em minha face.
Digo, pois, pelos meus olhos, que denunciam toda uma atitude centrada demais ao espírito inquieto.
Digo assim que.
Cessei a bebida, cessei as histórias, cessei corrida contra o tempo, voltei-me ao mundo enquanto o eu se deteriorava.
Procuro menos o caminhar e mais o rumo. Procuro me tornar mais um homem de pés no chão e mangas arregaçadas.
O que existe aqui dentro é mais próximo de uma felicidade escrita que de uma amargura sonhada. Estranhamente isso me incomoda. Esta certa adequação às normas, esse levar ao espírito a certeza.
Não sou certo.
Nunca estive certo.
Hoje isso me angustia mais que a própria angústia. Hoje os anos me pesam sobre os ombros, como se estivesse mais próximo daquela Idade da Razão e mais longe daquele velho vício: o Sofrer.
Assim se afasta. Assim me afasto.
Mais ou menos assim.
Sei lá.
02/09/2008
01/09/2008
09/08/2008
28/07/2008
às vezes entro nessas questões. entrava. não mais me atordoam (agora são outras). turbilhão de idéias se resolve do mesmo modo que o turbilhão de vento: deixe estar. o destino é sempre a calmaria; o equilíbrio ocorre com a estabilidade; a tendência é a discipação do caos em ordem.
bem, até o próximo deslocamento.
pois que venha! torna emocionante!
(...)
afinal, sem o distúrbio das ondas, a calmaria do mar seria ... desgastante!