18/03/2012

Todo o vazio de volta em um único homem. Como se coisa alguma existisse dentro dele que não completamente visceral. Como se bastasse viver. Como se todo dia bastasse. 

Eu queria mesmo é liberdade de qualquer coisa. Liberdade minha própria mesmo, entende?

11/03/2012

Um milhão de dólares para quem descobrir como terminou minha noite de sábado às 5 horas de domingo.

10/03/2012

Simplesmente como biotônico fontoura para o moral, para o espírito e tudo mais.

09/03/2012

Pequenos acontecimentos inúteis fazem dessa noite sóbria uma boa noite de sono. O amanhã nascerá favorável.

08/03/2012

Não ao desespero. Tomam conta das ideias muita areia, algumas crianças, psicodelia de garagem e sob tudo o travesseiro. Nunca dormi tanto para tantas horas de trabalho por dia.
Surgem olhos e humores em minha mente nada estagnado. Coisa de estepe é o fim do que está na frente, pelo avesso do que está dentro. A percepção de uma hora de alvorada em plena noite de transitoriedade.
Do transistor à descoberta.
Ou qualquer coisa, ou o nada.

05/03/2012

É, Seo Moço, a flor que carrega não é enfeite de lapela, é espada e é escudo do coração contra as tristezas do mundo.
Que semeie as batidas e ramos brotem dos punhos, para saber que para buscar a luz é preciso crescer o pensamento em direção ao Sol.
Assim só. Aí continua a germinar. Tudo junto.

04/03/2012

Tenho trabalhado o suficiente para cansar e não feito absolutamente nada que me anime de verdade. Bem, escrever tem me ocupado um tanto. Escrever pra você, nesse instante, me agrada bastante, na verdade. Não acho que esteja muito bem. Parece que tudo o que o mundo faz é me virar as costas nos momentos mais possíveis de minha semana. Fico feliz em saber que ao menos há alguém aí que aceita bem minhas palavras.

Tenho insistido, às vezes, que meus pensamentos são pó e vento. E que meu mundo é uma farsa dentro de mim.
Vinte e seis anos e nada de saber lhe dar comigo mesmo...

Bom seria se eu tivesse o mar logo aqui. Você faz bem em ser livre ao lado dele; se perder no horizonte da cidade é muito difícil pra mim. É muito humano.

25/02/2012

Eu, o imbecil que procura respostas em garrafas vazias: não, meu amigo, eu não sei ser assim. Todos os seus conselhos destemidos esbarram na minha falta de objetividade e na timidez incondicional. Sou como você, afinal, tanto quanto sou um habitante feliz dessa realidade. Não cabe ninguém dentro desse espaço que ocupo. Mal cabe eu mesmo. Quem garante que é sangue o que os mosquitos bebem de minha pele? Eu sugiro que eles apenas passem o tempo provocando-me irritação por ser um desagrado para o mundo, dando essa noção de que esse meu 'lugar' é somente mais um espaço que ficaria muito melhor sem a presença dessa ressaca ambulante. Ah, meu amigo, eu bem queria ser diferente, mas essa possibilidade não existe. Existe é a mudança que, ao que parece, devido a meu maldito conformismo (bunda-molismo mesmo), tardará em surgir.
The times they are a-changin' e eu continuo massacrado por esse maldito papel de parede multiplicado de cadáveres de insetos cadáveres de mim mesmo sem nada meu dentro, mesmo.


Coloco em leilão minha vida.

23/02/2012

Sutil conflito com o mundo. Entre a inércia da solidão e uma ideia evocada de que cada elemento (ou ser; ou coisa) possui seu sentido relativo a qualquer outro.

Consciente da vacuidade: o universo que cabe dentro de uma garrafa vazia.

21/02/2012

O objetivo era mesmo superar as pedras. Quantas mais fossem melhor. Cheguei a pensar o quão libertador seria alinhar todas elas - milhões, bilhões, trilhões de pedras todas manualmente organizadas, esteticamente organizadas... Assim foi o dia anterior, uma caminhada além dos limites da caoticidade de minha imaginação, que figurava apenas: um passo após o outro, não pense em nada, não imagina nada, apenas ande, mais rápido, mais rápido! Quanto mais pedras, quanto mais escorregadias, quanto pior, melhor! Rápido, rápido!


Trecho de minha estada na Serra da Canastra, até hoje de manhã. 21.02.20.12.

14/02/2012

Não há mesmo lugar, mesma situação ou mesma pessoa. Há eqüidade, equivalência, retorno. O estado é sempre outro. Eu é sempre outro. O passado teve seu fim há 1 segundo atrás. Há 1 segundo atrás eu morri no presente pra renascer no futuro. Infinitamente isso. 

Otimismo no horizonte.

13/02/2012

Tédio. Um sutil envolvimento com qualquer coisa, baixa auto-estima e todo um jeito descabido e imbecil de percorrer os dias como quem caminha numa planície vazia. Nenhum lugar onde chegar, nada a alcançar, palavra sequer a dizer que possam escutar. Ninguém para escutar, nada. Desespero. Não, tédio.

12/02/2012

Liberdade para não pensar em nada que preste. Viver entre o desespero e o tédio. Hermann Hesse. Cerveja boa. Cerveja barata. Tocar os pés com a ponta dos dedos e não sentir nada. Caminhar na chuva. Engolir seco. Paranoia. Música boa. Música ruim. Música boa. Imaginar qualquer saída que se possa fazer, entre fendas de um campo aberto e lobos. Tudo que eu não pretendia se constrói. Destroem todos os desejos do passado e torna presente qualquer coisa que seja vida. E o pior: determinismo é o caralho.

11/02/2012

Me encarar e digerir minha solidão tem sido minha maior prática nesses últimos dias. É incrível como é foda nos aguentar e suportar nossa própria voz ou o silêncio do pensamento sem que a raiva irrompa contra a tranquilidade. Sem que haja angústia declarada.

A verdade é que esse desenvolvimento gera um certo asco de mim mesmo, como se não pudesse suportar todas minhas crises e desejos reprimidos e tivesse que dividir tudo isso com alguém. A questão é que alguém sempre carrega também seus problemas e a divisão ou soma ou qualquer que seja a operação matemática acaba por [ ... ]

- Olá, o que há por dentro de você?
- Uma cerveja, por favor. Alguns miolos, pouca sabedoria e uma dose de viadagem.
- Só um minuto.

Certo seria perturbar todas as coisas de seu indevido lugar e rearranjar de qualquer modo que houvesse mais emoção. Só isso. Não preciso de muito mais.

- Uma boa trepada não lhe cairia nada mal também, não é Dr. Robert?
De fato.

Tá foda ser eu ultimamente.

10/02/2012

Sexta-feira = cerveja.


Onde entra 'está chovendo pra caralho' nessa equação?
Bar delivery? (o motoboy sempre se fode nesses dias molhados)

07/02/2012

Estou todo empolado. Do peitoral ao pescoço. Não sei se é alergia ao trabalho ou a falta de sexo. De qualquer modo as duas coisas me fazem mal. Pode ser que seja também algo com a comida ou com um inseticida maldito, mas esses não dão margem à poesia. Simplesmente.

06/02/2012

E todo esse tempo perdido, Dr. Robert? Quando é que você vai largar mão de ser um imbecil e reunir todos os pedaços de trapo que você tem se transformado e tornar a viver?
- For sure there will be some kind of answer for that...I'm not absolutely right about that...
Que tipo de ser humano é você?
- It's relative...
Não acredito que ainda estou discutindo isso. Fazem vinte e seis anos que eu insisto em tornar as coisas muito mais simples e você vive complicando tudo! Não é questão de ter se tornado qualquer coisa diferente do que poderia ter sido, é simplesmente uma escolha. Levanta daí! Acorda! Sai desse maldito estado de samambaia. O que está esperando afinal? A benção divina? Deus não existe, porra! Existe a humanidade que você tem insistido em tornar pó.
- I think... an ice cream could fit.
Imbecil! Babaca! Pára com esse canibalismo de si mesmo! Sabe muito bem que nem leite pode tomar. Toma é no meio do seu cú com essa mania de voltar pra dentro de si mesmo e tentar toda vez buscar alguma solução na poesia do seu sofrimento. A vida não é aqui dentro, é lá fora!
- Outside?
Tá vendo? Isso! Lá fora!
- There's no life outside. I just can live inside you. Actually, you know I am you. In and out.
Pfff... isso nem cabe na realidade. Você é mesmo ingênuo em acreditar que qualquer coisa assim vai impressionar alguém. Nem você acredita em si mesmo. Olha pra você. Sério. O que vê?
- Long hair, white skin, bones, no flesh.
O que mais?
- Poverty.
Hum.
- A boy without action.
Tente algo melhor.
- No answer.
Nenhuma?
- Loneliness.
Só isso?
-E nada mais...
Finalmente falamos a mesma língua, faça o favor de deixar de existir agora. 
- Me deixe em paz. Quer saber? Vá se masturbar com essa pornografia barata, fume um baseado, tome mais daquela cachaça, trabalhe feito um otário que nunca vai mudar o mundo, volte para casa, durma, coma, torne-se um burguês de merda. Acomode-se nessa sua merda de vida. Ouça um blues e pense que vai aproveitar alguma coisa de seu tempo em frente as suas própria palavras vazias e sentimentos fúteis...Não existe saída quando dentro e fora são a mesma maldita coisa!
Você fode comigo. Já devia ter acostumado...
- As you always do. Sucker.


É, Maria. Essa sensação de queda é sim aquele instante da vida em que qualquer coisa poderia ter sido outra. Mais emoção, por favor. Menos pena de si mesmo.

05/02/2012

Então morre. Aí quando renasce é a mesma coisa. Morre outra. Renasce e pensa que poderia ser qualquer coisa, talvez diferente. A orelha coça, a unha volta a esfolar os meios mais sensíveis da pele. Ouve ao fundo qualquer coisa como uma criança ou um caminhão, tanto faz, ouve mesmo é a superfície dos dedos que toca a cabeça. Aquilo entra na mente e parece ser outra vez a mesma coisa. Então você morre. E renasce. A cadeira range, os pensamentos continuam longamente estagnados. A orelha continua a coçar. Talvez não seja a orelha, talvez o couro cabeludo. Talvez não seja ele também, talvez sejam as ideias. Coça uma ou outra, as cavoca, as embaralha, mistura uma que se fazia parecer certa, então pensa que a solução seria mesmo arrancar as mãos ou os braços. Só assim não coçaria mais. Arranca uma. Para arrancar a outra a uma era necessária. Droga, está aleijado a solução não se concretiza. Pensa que alguém poderia fazer isso. Não, não entenderiam. Um cão talvez. Experimenta, mas o animal apenas dorme. Não é um lobo. Chuta para que ele acorde. Raivoso, assustado, arranca-lhe o pé. Pronto está no chão. Com dó, o animal lambe-lhe a face. Anojenta as ideias. Merda. Esfrega o corpo, passa algumas pulgas e se vai. Pronto, agora coçam muito mais. A mão ainda se esforça para tocar a mente, fuça entre as pulgas e as dobras do cérebro. Pronto, agora uma pulga entrou aonde não devia, está no controle agora. Viaja entre os neurônios. Curto-circuito. Morre. Renasce. As mãos e os pés ainda estão lá, mas agora a coceira é ainda mais profunda. A pulga ainda está lá, mora bem no centro. Talvez seja um carrapato. Um banho de ácido e pronto. Morre. Renasce. Agora sim, além de remoído pelas ideias é feio, deformado, nojento. Nunca mais sairá de casa mesmo. Pede uma pizza, come. Assiste fantástico. Derrete as ideias até o animal que as habita morrer. Não tão rápido. Sabe que toda aquela porcaria não vai penetrar. Tenta dormir, não. Fuça as ideias, não acha nada. Vomita a pizza, encontra uns pedaços sujos de si. Não tão sujos quanto os próprios pensamentos, mas tão sujos que causam asco. Sente vergonha. Qual? Todas. Quer a aventura, não o silêncio. Propõe um jogo. Não é possível renascer sem antes morrer. Nem morrer sem posteriormente renascer. Impossível. Melhor que só qualquer instante, qualquer instante só. E finge que nada aconteceu. Segue a vida, não é isso, Maria? 

04/02/2012

Quantos?
Três.
E você?
Sete.
O outro?
Nove? Puxa...
Eu? Melhor deixar para lá. Completamente vazio. É... vou ficar. Você tem razão. Tinha toda a razão. Melhor deixar pra lá. Vou esperar.

31/01/2012

Porra. Me entreguei ao esquema: trabalha, come, dorme.




Acabaram as pílulas de alegria. Tem uma aí?

30/01/2012

RETORNO. Sucesso.
Saída e entrada sem erro.
Amigos chegam sem culpa.
Para adiante e para trás segue o caminho.
Ao sétimo dia vem o retorno.
É favorável ter aonde ir.


Exatamente isso. E todo o resto é entorno. Eu só no mundo.

22/01/2012

Tão logo tenha tocado, com a ponta dos dedos, a lâmina de uma navalha cega, pensei: há de ser coisa muito boa a alma do homem que vê, entre todas as mil almas que o habitam, a saída estricta entre o corte e o punho firme que carrega o instrumento, que dilacera o ato no vazio, que rompe o silêncio em música (um blues - do delta), que expõe em cheio o desejo de uma noite mui bem dormida.



Da carne jorra a saída:
- É uma vida só, Maria! Por que não escorre de uma só vez a areia que é teu corpo de tempo?
- Tenho preguiça.
- Então vai! Pára de curvar teu presente! Abre a vida pra teus sonhos! Quebra esse vidro!
- [suspiro] É coisa muito boa que se faça. 
- Agora sim. A conta, por favor.

11/11/2011

Entre a alienação e a alienigenação eu digo: mais humanidade, amigo. Mais gentileza e beleza! Entre a foice e a espada fico com a mão estendida e digo: medita, pára, pensa! Num mundo de transitoriedade de todas as coisas o que fica? O que vale à pena?
Está tudo na essência.
Está tudo na humanidade que habita.

Não é corpo. Não é mente.

O mundo está todo errado. Chega de violência, amigo, chega de impaciência, de ignorância, de arrogância, de egoísmo...


A resposta (seja lá qual for) está na vida!

10/11/2011

mais gentileza.

03/05/2011

Entre o término e o contínuo, todas duas chances imbecis foram dadas. Mesmo que lhe coubesse a obviedade da resposta, nada poderia ser dito que fosse verdadeiramente compreendido. O anseio de que viessem logo ali e desligassem todos os aparelhos minimizaria a piada que era notar que o ar dos pulmões preenchia-se irregularmente: um desajuste na máquina fazia o esquerdo encher antes que o direito estivesse completamente vazio. Ria por dentro. Obrigado a tanto, já que a vibração do diafragma ressoava na faringe emitindo os sons que antes se propusera voluntariamente a fabricar quando forçava uma risada para a desgraça do outro.
Não era médico, mas o estetoscópio lhe servia muito bem ao pesar sobre os ombros e pressionar as veias do pescoço dando-lhe um ar incomodado, irritado diante da própria docilidade. Aproximou-se. Arrancou os fios da tomada, cessou a energia, prendeu a respiração e foi-se. Há de florescer nos globos, pensou. A coisa verdade rendeu-se. A escolha coube (a pouco) a um desconhecido. Era assim, não se reconhecia mais.
Pois bem, desconectou os tubos, ergueu-se do leito, bateu no peito, alongou-se. Finda a demonstração colocou novamente o paletó e foi em busca do transporte para que fosse conduzido a uma nova simulação de eutanásia, três horas e treze minutos de distância. Chegou a pensar que era um bom emprego aquele: o salário não era ruim (era de poucos gastos afinal), sua tarefa, apesar de precisa, pouco trabalhosa. Mantendo-se paralisado enquanto atores (passando-se por familiares), médicos e toda a comissão de ética dos hospitais discutiam seu fim iminente, podia colocar em ordem, em sua cabeça, todas as questões que lhe eram permanentemente acometidas.
Calçou os sapatos, caminhou vinte e sete minutos até a estação. Como era quase meio-dia, seu estômago deveria estar roncando, como usualmente fazia. Outra vantagem de seu trabalho: podia usufruir integralmente de sua hora de almoço, estendê-la todo o dia, já que era alimentado por soro, via intravenosa (afinal, não poderiam cessar a reunião da cúpula para que o doente terminal fosse à cafeteria). Também não carecia preocupar-se com as necessidades, a sonda não lhe incomodava tanto, a fralda um pouco mais, entretanto, sentia-se bem ao lhe darem um banho a quatro mãos. Quando um homem, então, teria esse benefício? As enfermeiras, mesmo que não lhe agradassem muito, também não eram de todo mal, e seu treinamento permitia deslocar o campo de visão para onde quer que fosse sem que precisasse movimentar o globo ocular sequer um milímetro. Serviam-no livremente.
Esperar a condução que não vinha por pouco mais de doze minutos tornava-o impaciente. Duas horas e vinte e um minutos à frente teria seu maior trabalho, no Hospital Central do Estado. Seria a maior equipe assistindo-o e demonstrando pontualmente todas as possibilidades de vida ou morte no Congresso Nacional Anual da Sociedade Médica! Seu antecessor, no ano anterior, lembra perfeitamente, ficou nada menos que duzentas e vinte e três horas e quarenta e quatro minutos em coma simulado. Era um grande homem, mas não era um profissional como ele e chegando ao fim de sua jornada não resistiu. Uma mosca pousou lhe na face e o fez piscar a cinco horas e um minuto de seu fim. Uma vergonha, pensou. Reflexo involuntário, esquivaram os médicos da equipe, acontece periodicamente com pacientes em coma profundo. Substituíram-no. Teria agora sua grande chance.
Mais dezessete minutos se passam e nada. A cada instante via que seu tempo de preparação e concentração diante da tarefa de sua vida diminuía. Cogitou que se atrasasse muito mais não lhe dariam importância alguma. Não poderiam substituí-lo! Talvez até o fizessem por um paciente verdadeiramente em coma, somente este trabalharia tão bem se lhe coubesse a escolha. Mas não há como, pensou melhor: nos tempos atuais jamais permitiriam que houvesse sua exposição assim, sem sua própria permissão. Lembrou então de um episódio, enquanto a televisão perturbava sua ordem de visão, em que assistira um documentário sobre a performance de um costarriquenho que amarrou e deixou morrer de fome um cão numa galeria em Manágua. Não entendeu, porém riu daquilo ao imaginar a comissão de ética julgando a fatalidade do animal, depois achou um absurdo atentar contra a vida desta maneira. Sentiu-se mal imaginando se lhe cortassem o soro e diante seu trabalho fosse impedido de reclamá-lo.
Ao longe, quase uma hora de espera, avista, finalmente, a condução. Teria que usar a imaginação para passar o tempo da viagem. Pensava que se o serviço de transporte fosse tão eficaz quanto seu trabalho, o expresso já existiria ali há alguns anos. Tinha certeza, pois, acima de tudo, que era um servente fiel da sociedade. Os avanços que as discussões trariam para o prolongamento da vida levariam consigo o nome do homem profundamente empenhado em sua tarefa. Existia afinal como sujeito a dedicar a vida para que a vida de tantos outros fosse prolongada (no fundo sempre contava com a extensão de todos os prazos). No entanto, não lhe cabia a escolha, dependia de todos os procedimentos de conduta e ação. E agia, ali, perfeitamente imóvel! Como não?

29/03/2011


Tem mesmo pouco sobre o homem que não exista no intervalo. Sobre todas as concessões que fazemos ao tempo, o maior pesar se deve as horas que fluem estritamente num sentido: o de tornarem-se cada vez mais vaporosas entre excessos e vazios. É um fluir que menos transborda, que mais se expande, que é mais capaz de tomar de assalto o ar dos pulmões. Mas não afoga, aconchega. E também afoga.
Da noção de tempo que se esvai (incontrolável em sua natureza autêntica, que assumia os riscos de um envelhecimento dos seres e das coisas), o homem que antes se notava pleno de si e das normas da sociedade moderna, passa a fundir-se então a todo o resto sem discriminação de entorno e interioridade. O ar, o tempo, os pulmões, a histeria de uma fragmentação da unidade humana são profundamente achatadas pela horizontalidade dos caminhos contemporâneos: o vazio se torna inevitável e insuportável.
Desencadeando a supressão de eventos, idéias e tecnologias, a fluidez temporal passa a culminar na supressão de “eus” em um único ser, que dotado de uma suposta liberdade de escolha diante dos fatos, posiciona-se sim aos pés de uma amorfa região de conceitos e valores desenraizados. Que liberdade há quando qualquer escolha é válida? Quando a determinação livre de estados supera a solidez da existência em prol de uma sobrevivência em região de acidentes?
O ar dos pulmões se torna atraente, a escolha de tê-lo dentro de si vaporiza um sem-fim de opções. Eis que, sedução surge como processo estritamente psicologizante e acompanhada dos demais processos de subjetivação do ser humano (entre os quais reinventados: a intuição, o amor, a igualdade, a humanidade, a liberdade, a própria natureza), aparenta reconhecer na positivação das relações – colapsadas – a criação de um universo pessoal autêntico.
À construção desse conteúdo que preenche rasamente nosso cotidiano, o advento do tempo torna saudosismo um acúmulo insustentável de fatos, fazendo do passado uma sucessão de presentes relativamente atuais, mas já ausentes de sentido. Qualquer escolha deixa de ser (ou passa a ser) válida quando submetida a um futuro evoluído, portanto, melhor, no entanto angustiante, enquanto desmerecedor do presente e possivelmente irrealizável. A evolução mais que percurso passa a ser sucessão. Imbuído do senso de liberdade de escolha, a elevação crescente desses valores auto-reconhecidos, é de fato uma invenção frágil sugerida pela contemporaneidade.
Se o pós-guerra fez explodir a idéia de instituição, elevando ao limite do descrédito humano tudo que não lhe pertença ao âmbito psicológico, a consideração sócio-histórica que reconhecia escola, igreja, família e cultura como entidades acima das capacidades de escolha, passou por transformação a ponto de individualizar as experiências sociais. Nessa dualidade temporal, o que antes se conceituava abelha, hoje se transmuta no zum zum zum incessante: a figura muito menos importa que a impressão ligeira que nos perturba os ouvidos e arrisca nossa pele.
Outra curiosa observação é a temporização dos espaços. O que antes se constituía como um lugar, como objetos de observação e durabilidade prolongada, atualmente se submete a uma questão de inversão de escala. O valor intrínseco dos conceitos passou a se caracterizar validade, ou data de validade.
A relação com os meios externos e com as demais pessoas passa a ocorrer limitada a uma espécie de razão temporal e somente ao prazer individual e este é o grande trunfo, ou grande vício contemporâneo: o prazer de se permitir agir e ter prazer, mesmo que as relações sejam todas fabricadas pelo processo psicológico, mesmo que a masturbação se torne a forma aparentemente mais autêntica, livre e pessoal de obtê-lo, claro, sem a interferência do outro.
O que se faz valer, cada vez mais é a aventura. Não exatamente em questão de risco, cada vez mais, pois, em termo de opções, de acúmulo (que não acumula, já que surpreende, supera). Acúmulo dos bens, das tecnologias, das relações sociais (não é preciso entrar no mérito das discussões sobre o universo virtual), das sensações, das emoções, dos minutos que contrariando a física deixam de ser absolutos, se alongam ou contraem em oposição aos anseios pessoais. Autonomia a plenos pulmões.
Não há aqui, senão exposição de idéias. O que insisto a duros golpes em dizer é: Vomito as horas! São trinta dentes, Maria! Dez dedos em cada lado do corpo, vinte e quatro anos, dois olhos que pairam rasos e se perdem no vapor. São trinta dentes! Que ruminam o acaso, mastigam a memória e acumulam nas gengivas a cor cinza do desagrado. Cutucam a sujeira oito unhas grossas, rijas do trabalho de escavar a própria carne em busca da profunda essência. Encontram resposta apenas duas, uma para cada olho, na mentira do espelho, no vapor do banho quente. Dos vinte e quatro anos, apenas catorze se sentem com a língua: os que estão na parte de cima da boca. Abaixo, apenas reflito, como o espelho. Apenas embaço, como a memória. Apenas mordo, como os anos. Devoro os dedos até punho.

13/03/2011

Sobre todas as concessões que faço ao tempo, o maior pesar se deve as horas que fluem estritamente num sentido: o de tornarem-se cada vez mais vaporosas entre excessos e vazios. É um fluir que menos transborda, que mais se expande, que é mais capaz de tomar de assalto o ar de meus pulmões. Mas não afoga, aconchega.
Tenho mesmo pouco sobre eu que não exista no intervalo. O fim de um ciclo se dá profundamente sutil. Da sutileza tendo mais à angústia do Blues que o fervor do Rock. Vapor que me preenche ouvidos e torna ritmado meus passos.

12/03/2011

If you see me there
Please don't call me, baby
I'll be probably lost
Looking for my cotton socks
Rearranging my white skin
Among oaks, gum trodden, ice cream vanilla flavor and a telescope in pieces

I'm trying to be honest
The road is long
The end is fucking near
Ask Jim and eat him
Down down down
I'm so happy in Uptown!

21/07/2010

Vomito as horas! São trinta dentes, Maria! Dez dedos em cada lado do corpo, vinte e quatro anos, dois olhos que pairam rasos e se perdem no vapor. São trinta dentes! Que ruminam o acaso, mastigam a memória e acumulam nas gengivas a cor cinza do desagrado. Cutucam a sujeira oito unhas grossas, rijas do trabalho de escavar a própria carne em busca da profunda essência. Encontram resposta apenas duas, uma para cada olho, na mentira do espelho, no vapor do banho quente. Dos vinte e quatro anos, apenas catorze se sentem com a língua: os que estão na parte de cima da boca. Abaixo, apenas reflito, como o espelho. Apenas embaço, como a memória. Apenas mordo, como os anos. Devoro os dedos até punho.

(Por alguma razão confiei beleza estética a este breve texto. Não sei o que quero dizer.)

26/06/2010

Repasso aqui um texto que escrevi, ontem, para uma matéria da faculdade e considero, hoje, alvo de minha própria introspecção.

REFLEXÃO/ Manifesto

Fazendo uso de uma perspectiva muito mais sentimental e apaixonada, ainda que baseada em toda a discussão teórica enfrentada diante de Lowenfeld e Brittain (Desenvolvimento da Capacidade Criadora) e Read (Educação Pela Arte), o que se permite perceber e desenvolver a partir desses autores é toda uma concepção de valorização do papel da Arte como chave de um sistema de proliferação da educação.

Ainda que os objetivos desta reflexão seja pensar sobre as obras prescritas, reencontro minhas questões – a serem possivelmente desenvolvidas aqui – justamente através das dúvidas que me surgiram durante seu debate (algumas delas anotadas nos roteiros diários), ainda que profundamente ingênuas.

O que Herbert Read descreve como uma possibilidade de desenvolvimento real da idéia de Platão, o papel da Arte na educação (como sugere o próprio título de sua obra), como um eixo condutor, entendo como um meio de emancipação de tudo aquilo que se apresenta como mais humano e profundamente natural, ainda que esbarre no embate sugerido sobre a função da educação (irreconciliável): “o homem deveria ser educado para se tornar o que é/ ele deveria ser educado para se tornar o que não é.”

Ao acreditar na Arte como processo de assunção da própria humanidade, afirmo sua função abstrata (se é que me é permitido conciliar termos tão díspares) ao permitir um reencontro do homem com suas próprias capacidades: naturais e incivilizáveis. A tais, me refiro sensação, percepção, imaginação e expressão sentimental, como meios de incisão sobre uma abertura do ser humano para o que se exprime como conceito de mundo. À educação, entendo como veia principal ao homem, a permitir a expurgação de suas crises mais profundas (humanas) e consolidação de suas capacidades crítica, criadora e proliferadora de consciências individuais, ao objetivo de se tornarem integradoras de uma sociedade e não apaziguadoras de submissão e ordem imposta.

Ao reproduzir no percurso histórico uma artificialização das mais simples relações humanas (espaciais, sociais, pessoais até mesmo da noção de tempo) no sentido de submeter todo seu entorno a um processo civilizatório ganancioso, o homem passa a se modificar enquanto ser natural junto ao seu próprio novo mundo. O que me refiro, é a um processo humano de necessidade controle de toda ciência e possibilidades. Mesmo que imbuído de um discurso de “compreensão” de qualquer entidade material ou imaterial, essa necessidade é vinculada a uma série de interesses que desprendem qualquer elemento de seu contexto natural. A busca seja pelo entendimento do inconsciente, seja pela procura de vida extraterrestre, passa por um funil de interesses sobre a intenção de comando de qualquer fato (afinal, o que perturba mais o ser humano senão o desconhecido, seja por incógnitas de desastres naturais, seja por inexplicáveis doenças, por distúrbios mentais que perturbam a aparente ordem social ou a relação vida/ morte?).

Nesse sentido, creio, à própria Arte coube um papel de segregação do ambiente da vida para se tornar fetiche de uma dada elite cultural, exteriorizando-se para se tornar mais um conceito subjugado e artificial; no contexto dos autores citados e mesmo desta reflexão, lutando para uma recolocação em sua posição inicial (e natural).

O que se exprime como intervenção da Arte no próprio cotidiano, seria justamente a quebra do ideal de Arte como instituição. Herbert Marcuse (em Teoria da Vanguarda de Peter Bürger) oferece uma determinação global da função da arte na sociedade burguesa. “De acordo com essa determinação, a função da arte é contraditória: por um lado mostra “verdades esquecidas” (e, com isso, protesta contra uma realidade na qual estas verdades não possuem validade alguma); por outro lado, as verdades são desatualizadas através do medium da aparência estética (estabilizando, assim, as mesmas condições sociais contra as quais protesta).” Ao afirmar este caráter institucionalizado e servente à cultura burguesa, Marcuse estabelece relação do papel da Arte com o papel da religião assumido por Marx, em estabilizar as injustiças humanas através da assimilação de uma nostalgia de uma vida feliz e elevada, existente apenas num mundo não-cotidiano.

Reivindicando uma posição interveniente no espaço da vida, toda a descrição sobre Arte descrita por Lowenfeld, em termos mais objetivos e técnicos na aprendizagem nas diferentes etapas da vida, ou Read, de modo mais expansivo, a meu ver deveria tender a uma valorização tal deste conceito, que culminaria em sua própria eliminação enquanto Arte. Sua inclusão no contexto diário, enquanto essência humana da sensação, percepção ou qualquer que seja sua relação com o mundo, consigo ou com o outro, deveria, pois, visar a superação estética (mesmo que os movimentos de Arte Contemporânea assumam essa reivindicação através de obras perceptuais) a ponto de se tornar expressão espontânea e lúdica da vida. Entendo até mesmo a possibilidade radical de desintegração da matéria de Artes Plásticas como espaço especial na escola, para uma vinculação de todas suas qualidades e motivações no contexto global de aperendizado.

Assumo, pois, a idéia de Read, ao finalizar seu livro, a noção de “educação pela Arte” como busca do objetivo de cultivar uma consciência de valores intrínsecos, ao utilizar-se da Arte como meio de aspiração do homem às suas capacidades criativas e interiores mais essenciais, revolucionárias.

Não compreendo todo o processo descrito até aqui como simples devaneio ou utopia de uma “revolução necessária”. Entendo como base de uma luta a ser investigada, pesquisada, refletida, discutida e emancipada para o ambiente real. Passível sim de revolucionar. Mesmo porque, ao colocar em cheque experiências educacionais já existentes, como a exercida por Olga Cossettini entre 1935 e 1950, em uma escola primária no Bairro de Alberdi, Rosário, Argentina, onde o papel da Arte se apresentava muito longe de pretender formar artistas, senão incluir-se no cotidiano escolar, possibilitando uma percepção e compreensão de mundo muito mais ampla e consciente, percebo que há saída (mesmo que combatida por diferentes regimes ditos políticos).

Ao refletir, por fim, em discussão sobre Arte como um beco sem saída, impassível diante das mazelas do mundo, viso agora, compreendê-la como uma válvula de conexão no ambiente da vida, a ser não só uma possibilidade de abertura, como uma membrana de fruição das próprias peculiaridades humanas naturais e essenciais.

21/06/2010

Me contamino pela crise.
Contra-cultura me contagia.
Contraio o contrário.

Perder o contato com a realidade é questão de contraste.

13/06/2010

Tropeçou a caminho do mar, conheceu todos os tons de azul. Dos sabores que dão às coisas, por que não o sentimento que abisma o tempo entre o pensamento da fuga e o silêncio da espera?

24/05/2010

Ainda que existam todos os problemas do mundo sobre nossas cabeças, nada, NADA é capaz de tornar nosso amor menos amor.
Se há frio e noite e não vê, espera, que das voltas da Terra, segura com força minha mão, logo nos sopra de volta a brisa leve, o frescor, o vento divertido que brinca de provocar em rodopios e fazer-lhe lágrimas coloridas nesses olhos grandes e mui belos e senhores da própria luz!
E quando o menininho parecer se voltar à própria sombra, relaxa, vai brincar é de teatrinho com os dedos e punhos. Bem como você ensinou. Bem como nunca vai deixar você de lado, afinal, você é todo o grande e maior público que ele já possuiu (e bem sabe de quem ouvirá os mais intensos e ansiosos aplausos, de pé).

E sim.

O meu é você. TUDO possui um sentido.

31/03/2010

Menina:
Você tinha razão. Eu fui um idiota. Descansei do tempo e me esqueci de tudo aquilo que se chama respeito - que cresce no minuto e no segundo. Fugi da verdade como quem torna em'uma picada buscando um atalho, entorna a melancolia e retorna o desagrado, por alguns dias. Até me olhar no espelho.
Eu estava cego, perdão! Entrei em meu pensamento e me refugiei em mim mesmo como caramujo, seguido por meu longo rastro de gosma, que agora, olhando para trás, também me dá ânsia (por ter percorrido esse caminho). Me esqueci de você... errei ao achar que só porque lhe tenho confiança poderia rodar o mundo sem tuas mãos nas minhas. Enlouqueci, ao um dia acreditar que o calor com as quais se tocam - nos dedos - permanecesse em minha memória. Permanece, pois, a imagem do dedo, mas não a sensação. Nem sequer o dedo - macio, de extrema graça e beleza infantil.
Eu sou um idiota. Não dei mérito a nossa importância. Não dei mérito a tuas vontades mais naturais e amorosas. Agora sei, não tem nada a ver com se permitir ter as próprias escolhas ou se embebedar de liberdade. Pensar que falei o que falei é me voltar ao espelho e enxergar uma besta! Minha dedicação a ti não chega aos pés das quais já me direcionou um dia! Sou mil vezes idiota por não compartilhar tudo aquilo que você me revelou ser do seu mais sensível ser! Me esqueci do carinho, do respeito, me esqueci do teu amor, como se todo o sentimento dentro de mim bastasse sem precisar lhe demonstrar em atos!
...e hoje já não sei mais se me reencontrando com tudo isso, você vai dizer o mesmo. A escolha já não é minha, senão a espera. Te merecer hoje seria demais pra esse resto de rastro que sou...
Não posso voltar a trás, nem que quisesse, o tempo é único. E só sim queria teu perdão. Estou à tua mercê.
Queria dizer que sou só um idiota, que não te merece, que te admira, que sabe que errou, que merece o sofrimento maior, que só queria deixar de pronunciar palavras ao vento e voltasse a por meus dedos em teus dedos e te levasse a qualquer lugar, junto!
Me devolve tua mão?
Vem brincar... por favor... você escolhe a brincadeira... assim que você quiser...

11/01/2010

Porque sempre que eu ouço ou vejo coisas assim, meio rock'n'roll, sinto uma angústia amarga, tão inflexível e atordoante que acabo por expor uma incompreensão do mundo certeira. E talvez mais do que uma incompreensão, um sentimento de não pertencimento a qualquer coisa que se diga atual temporal ou física. Como se todos os sonhos não me pertencessem mais e os meus sonhos fossem, de fato, uma realidade alheia, errante. Toco-me por uma infelicidade de um não-mundo que desconheço e rumino a cada visão orbitada nas décadas que não vivi. E vivo...?
Minha identidade é uma farsa. Não sei quem sou.
Só sei que continuo (ruptura) enquanto não souber explicar o que sinto, não souber o que sinto. Nem pra mim mesmo.

26/12/2009

Porque as coisas só são enquanto objetos (ou sujeitos) relacionais. Nada existe por absoluto senão a própria relação. Daí quem sou ou com quem ando dá no mesmo. E a diferença entre sujeito e objeto não é outra que: eu sofro com relações, o objeto apenas se permite relacionar. A estagnação é ação da espera. O absoluto não existe (reafirmo), pois sim, existe, tudo que está no meio.

08/11/2009

Entre o sopro e a palavra, o silêncio.
O tempo que perturba o instante da escrita é, às vezes, tão longo e repentinamente colocado em meu pensamento, que dos meses de 'ser nada', desse diário só me lembrei ao ser lembrado.
A vida tem, pois, um fluxo muito maior. O que existe é o ato contínuo. O que lhe parece estático é, no entanto, uma espera.
O que das pausas fica é sua interrupção.

(Mais um pomposo prefácio para um mero: tormento)

Dos espetáculos circenses mais aclamados, o que mais me inspira é a própria tenda. E quanto mais rota e puída e rasgada e dilacerada pelo tempo melhor. Meu enigma se dá nas estrelas vistas para além dos furos. Abaixo disto, suor, sangue, risos não suportam a espetacular paixão que explode em meu peito.

Sou um homem sem tempo. Admiro o silêncio e busco nele a síntese de tudo que não pode ser dito (e existe fervorosamente além da escrita).

20/08/2009

O próximo passo é alçar descobertas. E o seguinte também.
É favorável deixar pegadas.

07/08/2009

não, não sou. e não é quem ou porque, mas como.

30/07/2009

Hoje me elegi o homem mais triste de meu coração. Coloquei os suspensórios, o paletó marrom de bom corte recém lavado e o cachecol de lã vermelha para me tornar o mais estúpido morador de minha própria casa. Afinal, hoje sou o mais estúpido dos homens.
Não é que não pude ser forte todo o tempo, mas tive que ser fraco justamente quando o tempo nublado encobria toda a cidade, não apenas a mim, somente. Busquei no meu refúgio-menino o egoísmo que insisti tanto em desaprender. Não é que não a ame, mas às vezes o faço cegamente, de olhos fechados à tudo, às vezes, à própria pessoa, sobre mim mesmo. Idealizo. E esse sentimento exagerado me desensina a cada instante que sob si há motivos de existir. Os mesmos motivos que me fazem existir. Não que simplesmente ame Amanda (mesmo que simplesmente a amo), mas mesmo o sem-sentido, tem sentido de existir.
Admiro sua pessoa. Cada movimento de seu corpo, cada deslocamento de ar por seus gestos, voz, a risada mais-linda-que-já-existiu e a respiração mais-doce, que alcança meu corpo a fazê-lo perceber sensivelmente o mundo. Admiro suas idéias que buscam a felicidade e buscam a minha felicidade de encontro às coisas boas do mundo (a seu encontro). Admiro o espírito jovem que traz luz às trevas de meu pensamento, o espírito alegre de criança que admite buscar no próprio anseio da vida e das coisas o motivo para existir. Admiro o esforço em conduzir a vida diferente das escolhas óbvias e normais, pois concomitam com meu esforço e me estimulam quando tudo parece incidir ao ponto de equilíbrio estático morno. Admiro seu teatro, que é Arte e é a sublime confirmação da existência do homem, que faz de seu corpo instrumento, meio e fim de sua própria humanidade. Admiro seu cheiro, sua pele, seu carinho, o beijo, sua beleza, os olhos, o sorriso, o corpo, a naturalidade. Admiro muito sua naturalidade e espontaneidade, o que faz ser única, original, autêntica. Admiro sua reciprocidade, seu amor seu "Eu te amo", seu respeito, sua perspicácia, sua vontade querência de mim, seu sopro de vida que torna minha vida algo que valha à pena.
Não é tudo. Mas por tudo isso, te amo.
E por te amar estupidamente, hoje sou um infeliz prisioneiro de meus olhos que lêem tudo isso e fazem lembrar meu pensamento confuso o que para meu coração é óbvio. Só era preciso esclarecer. Só era preciso uma noite prensada em agonia entre os dedos para que o anel se lembre como aliança. Porque sempre esteve aqui, mas precisa ser sempre lembrado sobre o verdadeiro sentido de Amor. Do companheirismo.
Para que não fique entendido, mas seja compreendido a cada momento que a tenho comigo.
Estou infeliz, sou um estúpido, admiro você, admiro nosso amor, amo nosso amor, te amo.
Preciso.
Você me faz saber mover no mundo, sem você será só essa noite (de agonia).

29/07/2009

Quando o sentido é deslocado, existe, ao certo, perda e nova constituição, limitadas às bordas da subjetividade, do pensamento, do espírito, do instante. Foi assim, a pouco, com as luzes, a velocidade, todo o espaço contido no vazio, a não rigidez do volante, o ronco do motor, o odor do diesel, o dissonante som da guitarra do dirigível de chumbo. Foi assim no com-sem-sentido do ser-homem que passava à uma da manhã em frente a meu portão, movendo o carrinho-de-mão vazio, existindo somente ali, como meu dominador, como meu amigo, como um relâmpago que amedronta e clareia e desaparece no breu.
"Oba"
"Boa noite"
Nunca mais. E insistiu em ecoar em minha mente.

12/07/2009

Que fiquem de lado os formalismos, acima de tudo isso, o que age sobre mim é uma certa espiritualidade atordoante que me inunda o pensamento. Ou além disso, aprofunda todo o sentimento e embala minha 'realidade' num sonho-acordado, que até ontem era de fato uma surrealidade, uma fantasia. A viagem ao litoral de Pernambuco elucidou todo o sentido contido na palavra Paraíso. E na palavra Êxtase. E na palavra Aliança. E na palavra Futuro. E na palavra Presente. E em muitas outras palavras e também o que não é palavra por não poder ser dito.
É sim estranho como uma viagem pode mudar nossas vidas. Enquanto todas minhas ideias incidiam para, acima de toda exterioridade, uma viagem interna, como mergulho no próprio sentimento, Pernambuco me facilitou uma letargia, que travada no T da ponta da língua do sotaque, me tirou de mim como nunca antes havia acontecido.
Me olhei no espelho, não era eu, eu disse. Mudança, eu disse. Um rosto mais duro, cabelo menos correto, olhos mais firmes e fundos. Um corpo fraco com atos muito mais fortes. Não sou eu depois de estar lá. Não sei se algum dia Sou, parece que tudo se volta para...não sei, a cada dia a certeza dá lugar à transformação como se Eu fosse somente um conceito inventado, como Mundo (porque afinal [se] as coisas pertencem a um Mundo, o que as une? fisicalidade? e o sentimento, não é do mundo? pertence a Eu? e Eu ao Mundo? Eu não existo ao Mundo como o sentimento não é a matéria das mãos, senão para a Arte e a Filosofia?).
Que seja. Pernambuco mudou minha vida como o vento intenso que carregava tudo que lá havia. E mudou porque na ventania só me agarro a Amanda. E mudou porque na simplicidade do Paraíso, semeou ideias (boas!). E mudou porque me firmou ainda mais Nela.
[Será...? Teria Ela gerado Pernambuco? Porque afinal, essa terra, esse Estado, não existiria sem meu Amor. Ela me levou lá como se fosse esse universo fruto de seu próprio ventre de alucinações... foi real? Hum? Não?]
De toda a confusão, só sei que já tenho saudade. E que carrego muito mais emoção pelas coisas. E que Amanda é minha vida. E que se sei lá o que será da vida, sei que Ela estará lá. Seguindo meus passos, me guiando, segurando minha mão, me querendo fazer seguir novos caminhos.
[Aleatórios]

14/05/2009

Meu cú do avesso. Sou.

26/04/2009

Buscar sentido em tudo é reduzir o próprio pensamento. Mastigar o conhecimento. Cuspir os modos. Engolir os sentidos.

Ou sei lá o que e o ócio.

09/04/2009

Convivo com o medo [de envelhecer] como quem tatua nas costas uma banalidade. Não vejo, mal sinto, mas sei que está lá. Sempre estará. 
(Não supero. Assumo. Convivo.)
É um medo inventado.



Tudo vai de encontro. O nada é ocupado.



03:22     Agora durmo? Há pó demais em minha luminária para isso. O acaso me entretem.
03:24



Agora tenho raiva das palavras.
Me tiram o sono, me incomodam a mente, buscam novas palavras. Se encontram, escrevo. Se escrevo, torno a buscar.
Sem fim. Até que a cabeça pese e os calos nos dedos reclamem. E os olhos neguem. Assim.

08/04/2009

A cada ano que passa minha casa fica mais parecida com o que era no ano anterior. É essa conclusão a que chego esta noite.
Minhas roupas continuam as mesmas por anos (quando não encontro perdida alguma peça ainda mais antiga que me caiba), minha barba insiste em não crescer, mantendo sempre grossos e mal cortados os mesmos velhos parcos pêlos e, meu cabelo volta a cair na face, em cachos sujos e mal formados, como fizera já tantas outras vezes. 
O acúmulo de notícias velhas de jornal de meu irmão trariam sempre à tona os acontecimentos, se a pilha de folhas que cresce não fosse enterrada a cada dia por um novo fato que se esquece.
Os entulhos de meu pai e as anotações de minha mãe, ambos professores, insistem em somar-se a cada momento, como se num futuro breve ou distante, ressurgissem para assumir alguma utilidade em nosso pequeno cosmo. Entretanto, parecem iniciar-se em sua cíclica e constante construção de um castelo de não-tijolos, mas, memórias esquecidas.
Assim sigo também. Resguardando tantas inutilidades, estudos e provas de uma educação completamente/ monotonamente normal (não fosse este hábito em si), escondendo de mim mesmo velhas revistas e jogos e brinquedos (!) e bilhetes (enquanto minhas notas de vida e desenhos sofrem do péssimo hábito que mantive: o costume de manter tudo aquilo que me agrada - nada - em descarte do que me descontentava - todo o resto -), multiplicando meu passado em gavetas e armários, enfeitando-o com pó e traças, divertindo o esquecimento com teias de aranha e fezes de ligeiras lagartixas.
Sim. Sofro de um mal de família. Nada aqui é jogado fora. Desdos fios de arame e parafusos e chumbadas-de-roda-de-automóvel encontrados nas ruas, até as quinze garrafas vazias de sucos de uvas de safras varias ou aqueles mesmos horrorosos enfeites de casamento, furtados em meio a ébria comemoração.
Sim, eis em minha cabeça mais uma pertinente motivação a alimentar meu medo de envelhecer. Enquanto deveria assumir minha condição de ser que evolui, ocupo-me em ser minha própria casa (dos mesmos azulejos e os sofás de minha bisavó). Meu desejo inconsciente de manter meu presente, conscientiza-se neste espaço. A estagnação adentra-me pelos olhos, nariz e ouvidos (nos mesmos estalares noturnos dos móveis, tique-taques do mesmo relógio e mesmo zunido da mesma geladeira usada) e faz de mim não um morador, mas simplesmente mais um objeto destinado a conservar-se num mesmo lugar, sobre o pó, nesta morada-museu-lapso temporal onde, com o passar do tempo, tudo se mantém.
Assim, só eu, desentendo e amo meu lugar-eu.

A Amanda, que colocou este fato em meus pensamentos.
A Beckett e o Primeiro Amor: isso! Retire toda a mobília do quarto!
Ao Ócio.


22/03/2009

Meus olhos refletem todo o Louvre.
Possuo o Sol.
Porque só existem cores enquanto houver luz.
Porque só existe o sentimento.
Porque aqui dentro sou só tudo isso.

10/03/2009

Meu caminho se modifica. Construo um novo rumo ao solidificar meus passos em degraus que se erguem ao futuro. Meu presente busca as alturas, como meu corpo, minhas pernas e meus pés. Há, pois, alguém que me acompanha e me faz ver o horizonte do alto. E me faz querer tocar o horizonte. E me faz viver o dia seguinte com a itensidade do hoje. O futuro, as alturas, o horizonte. E ela só.

Antes era apenas eu.

15/02/2009

Atente. A vida reside na simplicidade.

Tudo é.
(e ao levar minha cabeça ao travesseiro, todos os problemas são dizimados. resistem apenas, os sonhos.)


08/02/2009

O som das gotas caindo (nas folhas, nas telhas, nas latas, nas poças) existe em meu ouvido tantas vezes quanto amandas em meu pensamento. Uma tempestade lá fora, uma brisa quente cá dentro.

25/01/2009

Tenho o mundo nas mãos e eu nas mãos dela. Sinto o horizonte tocar meu peito como a linha d'água da piscina, me envolvendo e tornando tudo a meu alcance. Tudo tocando meu corpo, me distraindo, me divertindo! Me sonho-fazendo! Me criança-fazendo! 
É toda ELA em mim e eu NELA!
Assim...

29/12/2008

Escrevo com caneta sem tinta e os dedos machucados. Me faltam letras, os acentos e outros dizeres. Em resumo, o que aqui redijo, vai ao encontro, ao menos ao intento, da mera escrita em si. Do como escrever fazendo menos uso de si. O retorno ao si. Na busca do sentimento condensado em si. No amo-te em si, sem os dizeres.

23/12/2008

Admiro nossas fotos e noto o universo todo na esfera de teus olhos. Não nas imagens - mas em meu prório pensamento (que vê Amanda em TODO lugar).

Consagro teu meu coração. Consagro teu meu futuro. Que o sonho persista, que esses dias durem para sempre...

18/12/2008

amocadapartecomoumtodoamo. de abrupto, logo digo: meu ser se aprofunda no desejo do outro. meu amor se constrói em cada detalhe; se consolida em cada gesto; se monumentaliza diante de teus olhos na mais pura veneração a uma mulher. hoje. amanhã. a (minha) essência.

16/12/2008

É. Inicio minha investigação das palavras além das próprias palavras. Além dos signos e significados. Em busca do sentimento contido. E só ele, por si só, por trás, no entremeio ou na articulação de cada letra. Uma tarefa infortuita, absurda e anacrônica. Talvez dois séculos atrás fizesse algum sentido. Precisa fazer? Como se cada parte de cada frase e cada curva de cada letra grafada fossem representações terrenas de um algo maior (que sinto e sinto necessidade de expressar).
Talvez isto, este blog, viesse mais como um diário de bordo, anotações de um existencialismo sentimental e, minha fonte de pesquisa se tornasse, como muito já se fez e tenho abandonado, o papel, a caneta, a tinta e até mesmo a tela. Preciso de mais luz. Vou pensar.
(E enquanto penso, o puro sentimento de A. domina meu peito, move meus dedos que escrevem. Não! Meus dedos apenas redigem, meus lábios escrevem, sussurrando as palavras, buscando a poesia, como nos beijos. Pois tenho minha fonte de inspiração, tenho nos sussurros, seus lábios e nessa busca mais que meu amor, contido nessas quatro letras, a saber: A-M-O-R.)

14/12/2008

não existe vontade maior que de expor todo esse sentimento que aflora em meu peito assim em ramas e galhos e flores e frutos e abrange todo o espaço que vejo que não-vejo que sinto que pressinto que julgo imortal e é o todo enraizado profundo-profundo-forte-firme-eterno em seu abalo até minha mente que é refém e se mantém acesa em busca da árvore que sou que você venha à minha sombra se deleitar me abraçando dando de ti a atenção sorvendo o néctar e fazendo mais seiva de teu amor e eu crescendo expandindo pros céus e profundo com mais amor até que tudo seja só a-grande-árvore-de-mim contínua infinita! 

só para ti!

(assim, de uma vez só, o que estava plantado em meu peito transpassou os limites de minha carne e todo o entorno é só tua mão de jardineira. cuida de mim, faço pra ti um balanço. e peço a meu amigo vento para que te leve às grandes alturas!)

11/12/2008

já gostou tanto de alguém que teve vontade de gritar? 
com o barulho da chuva no telhado talvez não fosse tão longe, mas meus pulmões e minha garganta, sem dúvida alguma, se estenderiam até você (até que meu interior e o teu se somassem num só) transformando assim, meu grito, assim, numa ode a nosso sentimento! assim, assim...

10/12/2008

Mais uma noite sem sono. Desta vez por um motivo ainda mais nobre. Ela dormia em meus braços! Sua mente, seu corpo, seu sonhos. Minha mente, meu corpo, meus sonhos. Nosso coração. Todos ali, unidos, um só.
Completo-me! E a vida adquire a mais sublime realização.
(e ela ainda estava magnificamente linda. não deixo de repetir.)

08/12/2008

É a felicidade mais intensa que já senti na vida (quando está a meu lado). É a tristeza mais profunda que já senti na vida (quando é ausente). Ou sou completo, ou puro vazio. 
Sou só você.
será que exagero nas palavras? nos gestos? na vontade ininterrupta, persistente e grandiosa de estar contigo o tempo todo? tudo bem, talvez sim. mas estou loucamente apaixonado por você. inquestionavelmente te amando. isso nunca aconteceu comigo. o que faço já foi além de palavras bonitas e bem colocadas, busco minimamente a perfeição que tua imagem alcança diante de meus olhos (e muito mais em meu pensamento). realmente quero ficar muito tempo contigo (não é força de expressão). você me completa, me soma, me constrói. virei um paranóico, um viciado que só aceita Amanda, Amanda, Amanda. Amo-te e preciso de você. Esses dias de só te olhar me agonizam. Preciso da tua mão em meu peito de coração acelerado, dos teus beijos, teu abraço-lugar-mais-confortável-do-mundo, dos teus olhos por onde vejo o universo em ti, do teu sorriso, que é a própria fonte da minha atual existência! não sei o que acontece. sei que te Amo. e quero Amar por muito tempo. você é tudo e só o que preciso. é isso...
Amo-te. beijo. beijo.

E dane-se o universo dos ridículos! Faço parte dele há tempos!

07/12/2008

Quantos dias se passaram? Dez? Dois meses? O ano todo?
- UM? APENAS UM?
Não há mais dúvida. O tempo não segue escala absoluta. É diretamente relacionado à distância. Esta estendida - eu longe de você -, o tempo alonga-se também. Elasticamente. Só esperando nosso reencontro; para retrair-se. E passar a fluir em velocidade infinita!

Bem. E que voe! Pretendo alcançar os cem anos!

05/12/2008

Nada mais importa. É pleno. 
E mesmo que todas as palavras coubessem neste espaço, nada perto chegariam do sentimento. Nada perto chegariam da mão sobre meu peito, sob a qual e pela qual, meu coração bate (desesperadamente)!
Não tocava minhas roupas, minha pele, meus ossos ou o coração. Tinha-o para si. Fazia-o pulsar. Era o próprio. Era todo o sentido. E só ele!
Meu universo se constrói em sua palma. Se dilata em suas veias. Depende de seus dedos!

Dois dias serão uma eternidade, A!

02/12/2008

Mesmo quando não está sorrindo, ela sorri. E eu junto.

01/12/2008

Meu mundo não absorve ruídos. Reflete constelações (algo assim: o que sinto é o pulsar do outro corpo. Celeste).
Inicia-se hoje o melhor dezembro. Que o tempo se dobre, que o espaço se curve (até que caiba, apenas, nós dois).

30/11/2008

Torno-me um idiota que se fecha na própria verdade. Um louco que em seu próprio universo habita suas criações. Torno-me o Cosmos a que tudo pertence, tudo é, limitado na própria plenitude (a verdade em si, o universo em si, todas as criações). Porque simplesmente Amo.
Sei o que vejo, logo ali, tudo que preciso. Eu caminho e ela em minha direção. Logo não haverão dois. Logo não precisarei ver. Ela me liberta, me faz sentir a luz além da própria visão, me faz perceber que tudo que vejo é sua extensão, a continuidade de seu existir. De meu, do nosso. Logo, o Todo caberá aqui dentro e palavras quaisquer serão insuficientes.
(Digo "logo" porque o que sinto já não cabe mais em mim. Não pertence unicamente a mim. Expande-se a cada segundo e sei que haverá um momento, em breve, que fará o sentido pertencer a todas as coisas do mundo. Como uma explosão, em que eu, resumido a ínfimas partes me diluísse no próprio universo. E todo ele em mim.)

29/11/2008

E Ela resumiu em uma frase as mais sublimes palavras. Tirou-me o fôlego, os medos, a resposta. Deu-me um pequeno pedaço de sua perfeição, a consagração, um sentido.
Hoje há muito mais de simplicidade e beleza no mundo.
Amável. Quero tê-la a cada instante. Todo detalhe.
(neste momento a fluência das palavras me é dificultada. Primeiro, porque me abalo, segundo, porque existe o sono que me conduz. Pude admirá-la até o nascer-do-sol e agora, quase ao meio-dia, dou-me conta que meu corpo age apenas em um sentido. Ela.)

27/11/2008

Amantes secretos declarados. Nos sonhos, nas manhãs, nos corpos e nas palavras. 
Em todo pensamento.
Do nascente ao poente e vice-versa.

26/11/2008

Uma noite-sem-fim e sonhos.
É assim algo das coisas muito mais que lindas que ficarão.
É algo assim tudo e só.

25/11/2008

"Perdoe a metáfora pouco polida, mas é espontâneo e cru e sincero. E assim deve ser.
- Você me dá ânsia, sabia?
Mas não uma ânsia ruim. Ao contrário: boa!
É vontade de viver. De perturbar o silêncio conformado da noite de sono, como a pedra atirada faz às águas do lago. De impedir a racional delineação do futuro, que o caos do sonho sugere. De libertar abruptamente as verdades do mundo, que embolam em minhas entranhas, até equilibrar todo o dentro-e-fora desse sentimento! Deixando em todo meu entorno a parte por mim consumida e não absorvida em meu peito, porque transborda de tanta que é!
É uma ânsia sem-fim de existir! É uma ânsia sem-fim de sentir! De fazer haver sentido! (...)"


B.N.

24/11/2008

(não mais vírgulas que a vida não é colagem é continuísmo é o todo) é o livro em branco é a tela em branco é o presente em branco é o sentido todo e por si só hoje me apaixono assim de uma vez só.

21/11/2008

ah, o stress! ah, esse ininterrupto pulsar de consciência quanto ao acúmulo de trabalho!
é tão bom saber que seu fim está logo ali, em poucos dias, que nada tenho a perder, que há muito mais espaço em minha mente para...

26/10/2008

o trapo, o pó e o fim.

(reflexão nº3 sobre a postagem abaixo)

24/10/2008

um salão de tango vazio, uma mulher com batom vermelho, sozinha, em uma mesa com um copo vazio à sua frente.

(reflexão nº2 sobre a postagem abaixo)


22/10/2008

retenho os gostos, os passos, as aflições.

(reflexão nº1 sobre a postagem abaixo - publicada sem razão, de súbito)

21/10/2008

...pois sou o guardanapo, o assoalho de tacos e as baratas desta noite abafada.

30/09/2008

humpf.
ir ao encontro do oceano é ir de encontro ao horizonte pleno. ao infinito. aonde, ali, todas as respostas residem. até as não questionadas. ali, naquela tênue linha. 
no pensamento.
na memória, ir ao encontro do mar é percorrer todo o caminho, todas as histórias. lembrar das idas ao mar é sentir o cheiro do azul e gozar da brisa flop-flop-flop em nossos ouvidos. como algo que volta e sempre-quasempre muda quando voltamos. 
que é sempre novo mar sobre o velho de novas histórias.
assim assim. 
se refaz. disfaz. sobrefaz. confirmafaz. mudafaz. maismelhorafaz.
não sei ao certo.
sei que é lindo. o mar. na cidade. nas idéias. no passado-presente-futuro. no vai-e-vem-vai-e.

28/09/2008

Mies van der Rohe: "menos é mais"

24/09/2008


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23/09/2008


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12/09/2008

foda-se significa.
voltar e revoltar. viver e reviver.
revolver.

tem visto a lua hoje?

08/09/2008

Envelheci.
Acabo de envelhecer alguns bons anos, há poucos instantes, ao me olhar no espelho - estava prestes a dormir, agora a insônia de um velho me incomoda.
Não digo pela minha aparência e percepção de mudanças físicas. Continuo um jovem roto, magro, de cabelos emaranhados e barba rala em ilhas de sujeira em minha face.
Digo, pois, pelos meus olhos, que denunciam toda uma atitude centrada demais ao espírito inquieto.
Digo assim que.
Cessei a bebida, cessei as histórias, cessei corrida contra o tempo, voltei-me ao mundo enquanto o eu se deteriorava.
Procuro menos o caminhar e mais o rumo. Procuro me tornar mais um homem de pés no chão e mangas arregaçadas.
O que existe aqui dentro é mais próximo de uma felicidade escrita que de uma amargura sonhada. Estranhamente isso me incomoda. Esta certa adequação às normas, esse levar ao espírito a certeza.
Não sou certo.
Nunca estive certo.
Hoje isso me angustia mais que a própria angústia. Hoje os anos me pesam sobre os ombros, como se estivesse mais próximo daquela Idade da Razão e mais longe daquele velho vício: o Sofrer.
Assim se afasta. Assim me afasto.
Mais ou menos assim.
Sei lá.

02/09/2008

"...o frio que sorve minhas forças páira, agora, vencedor em minhas entranhas. O Flagelo de Deus ergue-se por terra, com nome não mais Átila, mas solidão..."

Ahá! Temos, assim, o vencedor para o concurso de bullshit deste dia de ontem!

01/09/2008

Enquanto a janela para o mundo está fechada, existe muito sol aqui dentro!
Viva a simples felicidade pequeno-burguesa!

13/08/2008

Sim. Nada mais importa. Hoje o dia se encerra como "lembra? aquele dia..."

09/08/2008

"Ele se eleva acima da multidão de seres, e todas as terras se unem em paz."

I CHING - CH'IEN/ O CRIATIVO (Livro Terceiro). Aberto ao acaso.

28/07/2008

quanto à densidade e ao náufrago:
às vezes entro nessas questões. entrava. não mais me atordoam (agora são outras). turbilhão de idéias se resolve do mesmo modo que o turbilhão de vento: deixe estar. o destino é sempre a calmaria; o equilíbrio ocorre com a estabilidade; a tendência é a discipação do caos em ordem.
bem, até o próximo deslocamento.
pois que venha! torna emocionante!

(...)

afinal, sem o distúrbio das ondas, a calmaria do mar seria ... desgastante!