30/07/2009

Hoje me elegi o homem mais triste de meu coração. Coloquei os suspensórios, o paletó marrom de bom corte recém lavado e o cachecol de lã vermelha para me tornar o mais estúpido morador de minha própria casa. Afinal, hoje sou o mais estúpido dos homens.
Não é que não pude ser forte todo o tempo, mas tive que ser fraco justamente quando o tempo nublado encobria toda a cidade, não apenas a mim, somente. Busquei no meu refúgio-menino o egoísmo que insisti tanto em desaprender. Não é que não a ame, mas às vezes o faço cegamente, de olhos fechados à tudo, às vezes, à própria pessoa, sobre mim mesmo. Idealizo. E esse sentimento exagerado me desensina a cada instante que sob si há motivos de existir. Os mesmos motivos que me fazem existir. Não que simplesmente ame Amanda (mesmo que simplesmente a amo), mas mesmo o sem-sentido, tem sentido de existir.
Admiro sua pessoa. Cada movimento de seu corpo, cada deslocamento de ar por seus gestos, voz, a risada mais-linda-que-já-existiu e a respiração mais-doce, que alcança meu corpo a fazê-lo perceber sensivelmente o mundo. Admiro suas idéias que buscam a felicidade e buscam a minha felicidade de encontro às coisas boas do mundo (a seu encontro). Admiro o espírito jovem que traz luz às trevas de meu pensamento, o espírito alegre de criança que admite buscar no próprio anseio da vida e das coisas o motivo para existir. Admiro o esforço em conduzir a vida diferente das escolhas óbvias e normais, pois concomitam com meu esforço e me estimulam quando tudo parece incidir ao ponto de equilíbrio estático morno. Admiro seu teatro, que é Arte e é a sublime confirmação da existência do homem, que faz de seu corpo instrumento, meio e fim de sua própria humanidade. Admiro seu cheiro, sua pele, seu carinho, o beijo, sua beleza, os olhos, o sorriso, o corpo, a naturalidade. Admiro muito sua naturalidade e espontaneidade, o que faz ser única, original, autêntica. Admiro sua reciprocidade, seu amor seu "Eu te amo", seu respeito, sua perspicácia, sua vontade querência de mim, seu sopro de vida que torna minha vida algo que valha à pena.
Não é tudo. Mas por tudo isso, te amo.
E por te amar estupidamente, hoje sou um infeliz prisioneiro de meus olhos que lêem tudo isso e fazem lembrar meu pensamento confuso o que para meu coração é óbvio. Só era preciso esclarecer. Só era preciso uma noite prensada em agonia entre os dedos para que o anel se lembre como aliança. Porque sempre esteve aqui, mas precisa ser sempre lembrado sobre o verdadeiro sentido de Amor. Do companheirismo.
Para que não fique entendido, mas seja compreendido a cada momento que a tenho comigo.
Estou infeliz, sou um estúpido, admiro você, admiro nosso amor, amo nosso amor, te amo.
Preciso.
Você me faz saber mover no mundo, sem você será só essa noite (de agonia).