Quando o sentido é deslocado, existe, ao certo, perda e nova constituição, limitadas às bordas da subjetividade, do pensamento, do espírito, do instante. Foi assim, a pouco, com as luzes, a velocidade, todo o espaço contido no vazio, a não rigidez do volante, o ronco do motor, o odor do diesel, o dissonante som da guitarra do dirigível de chumbo. Foi assim no com-sem-sentido do ser-homem que passava à uma da manhã em frente a meu portão, movendo o carrinho-de-mão vazio, existindo somente ali, como meu dominador, como meu amigo, como um relâmpago que amedronta e clareia e desaparece no breu.
"Oba"
"Boa noite"
Nunca mais. E insistiu em ecoar em minha mente.