08/11/2009

Entre o sopro e a palavra, o silêncio.
O tempo que perturba o instante da escrita é, às vezes, tão longo e repentinamente colocado em meu pensamento, que dos meses de 'ser nada', desse diário só me lembrei ao ser lembrado.
A vida tem, pois, um fluxo muito maior. O que existe é o ato contínuo. O que lhe parece estático é, no entanto, uma espera.
O que das pausas fica é sua interrupção.

(Mais um pomposo prefácio para um mero: tormento)

Dos espetáculos circenses mais aclamados, o que mais me inspira é a própria tenda. E quanto mais rota e puída e rasgada e dilacerada pelo tempo melhor. Meu enigma se dá nas estrelas vistas para além dos furos. Abaixo disto, suor, sangue, risos não suportam a espetacular paixão que explode em meu peito.

Sou um homem sem tempo. Admiro o silêncio e busco nele a síntese de tudo que não pode ser dito (e existe fervorosamente além da escrita).